BNDES apoiou Butantan com R$ 97 milhões para produção de vacina contra dengue
- Rede TV Paraná
- há 3 dias
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Imunizante é o primeiro contra dengue em dose única no mundo e será incluído no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2026

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o aval definitivo para a primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, produzida pelo Instituto Butantan. O termo de compromisso assinado nesta quarta-feira, 26, é a etapa final de um longo período de pesquisas e investimentos que teve o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A Butantan-DV tem eficácia geral de 74,7% e de 91,6% para casos graves, além de imunizar contra os quatro tipos do vírus da dengue. Segundo dados do Ministério da Saúde, o país registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue nesse ano. Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue – quatro vezes mais do que em 2023. Para a Anvisa, a vacina tem o potencial de mudar o panorama epidemiológico no país, com redução de atendimentos ambulatoriais, hospitalizações e mortes relacionados a dengue.
É fonte de orgulho para Anvisa avançar com o registro de uma tecnologia desenvolvida e feita no país, pelo Instituto Butantan, uma vacina que vem sendo desenvolvida há algum tempo e teve apoio expressivo do BNDES e do Ministério da Saúde”, ressaltou o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle.Hoje é um dia de vitória da vacina, da ciência e da cooperação entre o SUS e as instituições públicas espalhadas pelo país", comemorou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Apoio do BNDES
Um marco importante desse processo ocorreu ainda em 2017, quando o BNDES apoiou o Butantan com R$ 97,2 milhões para custeio de ensaios clínicos e construção de uma planta de escalonamento para fornecimento da vacina contra a dengue. Os recursos não reembolsáveis do Fundo Tecnológico do Banco (BNDES Funtec) corresponderam a 31% do investimento total, no valor de R$ 305,5 milhões. Composto de partes do lucro do Banco, o BNDES Funtec apoia projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação.
Em 2008, também com recursos do Funtec, o BNDES já havia aprovado apoio financeiro no valor de R$ 32 milhões à Fundação Butantan para o desenvolvimento de vacinas contra rotavírus, dengue e leishmaniose canina.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante destacou que a aprovação da vacina contra a dengue pela Anvisa fortalece o SUS e simboliza o compromisso do governo do presidente Lula com a ciência em ciência e a inovação.
O apoio do BNDES ao desenvolvimento da vacina e à infraestrutura do Instituto Butantan mostra como o investimento público de qualidade salva vidas. ‘É uma conquista da ciência brasileira e uma vitória da saúde pública”, afirmou Mercadante.
A vacina Butantan-DV deve ser incluída no Programa Nacional de Imunização (PNI) a partir do ano que vem. O Instituto já tem mais de 1 milhão de doses prontas para serem disponibilizadas ao PNI e tem a capacidade de produzir mais de 30 milhões de doses ainda no primeiro semestre de 2026.
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, ressaltou o investimento do BNDES na pesquisa da vacina e também destacou o apoio de R$ 386 milhões do Banco na nova planta de biotecnologia. Por meio do Programa BNDES Mais Inovação, o investimento permitirá o desenvolvimento e produção de bancos de vírus e de células para produtos biológicos, como vacinas e medicamentos.
"A vacina brasileira do Butantan contra a dengue contou com enorme apoio do BNDES. Desde 2008, o Banco contribuiu para o desenvolvimento dos estudos clinicos da fase 2 e da fase 3, que se constitui no maior ensaio clínico já realizado no país, com mais de 17 mil voluntários, além da construção da unidade industrial da vacina, com capacidade de produzir 60 milhões de doses por ano", afirmou João Pieroni, superintendente de Desenvolvimento Produtivo e Inovação do BNDES.
É um exemplo da relevância do financiamento de longo prazo e uma vitória da ciência brasileira."
"A dengue é um problema grande de saúde pública. no ano passado, do norte da Argentina ao sul dos Estados Unidos. Treze milhões de casos e nove mil mortes nas américas. É um momento de celebrarmos uma vacina de uma dose segura e eficaz", reforçou o Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa.
Apoio à saúde
O BNDES aprovou no ano passado R$ 4,8 bilhões e, apoio ao complexo industrial e de serviços da saúde. O valor representa crescimento de 140% sobre os números de 2023 e de 280% na comparação com as aprovações de 2022. Desde janeiro de 2023, o valor aprovado soma R$ 6,8 bilhões, recorde histórico. Esse número supera as aprovações para o setor da saúde no período de 2019 a 2022.
Prevenção - Um dos meios de prevenir a dengue é evitar a proliferação do Aedes Aegypti, o mosquito que carrega a doença. Eliminar água parada em vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas plásticas e piscinas são medidas úteis. Mas, como alerta o diretor médico de desenvolvimento clínico do Instituto Butantan, José Alfredo Moreira, o combate à procriação do mosquito é insuficiente. “A vacina é de suma importância na estratégia de prevenção. O pilar antivetorial também é, mas tem lacunas na sua eficiência. E a vacina complementará, será mais um instrumento para diminuir os casos sintomáticos de dengue”, destacou o médico.
Dengue - A dengue é uma doença febril aguda caracterizada por dor pelo corpo, febre alta, vermelhidão, dor de cabeça e outros sintomas, causada por um vírus que apresenta quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Em alguns casos, pode se intensificar ao final da primeira semana e se tornar grave e até fatal em uma pequena parcela das pessoas, com a apresentação de sangramento, queda de pressão e/ou choque. Os mais vulneráveis à dengue grave são crianças pequenas e idosos, pessoas com comorbidade e imunossuprimidos.O impacto da doença varia conforme o histórico do paciente, ou seja, se ele já teve a doença ou não. Se alguém é infectado pela primeira vez, a chance de ter dengue grave é menor; se é a segunda vez, as chances do quadro se agravar são maiores.
Referência - O Instituto Butantan é o maior produtor de vacinas e soros da América Latina e o principal produtor de imunobiológicos do Brasil. Referência mundial de eficiência e qualidade, é responsável pela maioria dos soros hiperimunes utilizados no Brasil contravenenos de animais peçonhentos, toxinas bacterianas e o vírus da raiva. Também responde por grande volume da produção nacional de antígenos vacinais, produzindo 100% das vacinas contra o vírus influenza usadas na Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.




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